Blog

Blog

Instituto Mãe: Saúde da Mulher

01 de março de 2018 |
Instituto Mãe

Instituto Mãe: Saúde da Mulher por Ana Lambert – Consultora de amamentação da @anamlambert

 

Instituto Mãe: Olá! Eu sou Ana Maria Lambert e estarei aqui mensalmente, contando um pouco da minha experiência profissional no universo familiar, da maternidade e da paternidade.

Sou fisioterapeuta há 21 anos, especializada em saúde da mulher, educadora perinatal, doula, consultora de amamentação e cuidados neonatais, terapeuta de casal e família.

Quando me formei fui trabalhar com ortopedia e neurologia, mas foi em 1999, quando fiz um intercâmbio cultural/profissional e conheci um trabalho fascinante de atendimento a mulheres de baixa renda num centro comunitário de saúde, que me encantei pelo universo dos cuidados pré-natais, neonatais e da amamentação. Vi atendimentos lindos a gestantes, puérperas e recém-nascidos. Vi assistência ao parto natural! Meu coração se encheu de uma novidade tão bela que jamais poderia me esvaziar disso.

Em 2005 eu engravidei e tudo o que eu tinha conhecido, eu queria vivenciar. A minha formação foi acontecendo em grande parte, a partir das minhas próprias dúvidas como gestante e mãe. Fui buscando informações e formações para que eu pudesse esclarecer minhas próprias dúvidas e angústias nos mais diversos aspectos de mãe, educadora e profissional. E foi juntamente com a descoberta da maternidade que fiz a especialização em saúde da mulher, educação perinatal, doulagem e consultoria de amamentação e cuidados neonatais.

O conhecimento fisiológico e anatômico da gestação, parto e pós-parto, da amamentação e desenvolvimento motor do bebê, eu conhecia e dominava. O conhecimento acadêmico me deu técnicas para entender e resolver certos processos físicos que aconteciam nesse período, mas o que acontecia além do físico, o que acontecia além do compreensível e consciente, era muito mais do que qualquer livro jamais tinha me contado.

Cada mulher que atendi me ensinou algo. Suas angústias, dores e desafios internos, me ensinaram que cada gestação traz uma história, traz uma verdade profunda e sincera que muitas vezes é incompreendida até mesmo por quem a vive.

Percebia que para cada história que eu conhecia, era preciso mergulhar no universo vasto e individual de cada mulher, de cada família que se formava com a chegada de um bebê. Fui surpreendida com a força das verdades familiares que invadiam os processos anatômicos, fisiológicos, psicológicos e até patológicos, colocando toda e qualquer lógica de cabeça pra baixo e dando um nó cego no conhecimento acadêmico que eu havia conquistado com anos de estudos.

Quase desisti da jornada profissional que tanto almejei. Quase desisti de entender o corpo da mulher e as transformações que aconteciam.

Parei.

Foi então que olhei para dentro de mim mesma e da minha história e me espantei com a infinidade de aspectos psicológicos e fisiológicos que se sincronizavam. Olhei novamente para as mulheres que já havia atendido e revisitei cada história na minha memória. Encontrei conexões de suas histórias e do que o corpo nos contava. E nessa euforia quase infantil de descoberta, fui em busca de uma formação com a visão voltada à família das mulheres que me procuravam.  Assim me tornei terapeuta de casal e família.

Atualmente eu digo que atendo famílias e não mais atendo mulheres. Ainda que meu trabalho seja com a mulher, ainda que minha atuação física seja com essa mulher que me procura, eu não posso me esquecer que ela nunca está sozinha. Essa mulher traz consigo toda a sua família. Traz consigo sua mãe e suas avós. Traz seu parceiro ou sua solidão. Traz um universo dentro de si.

E é deste universo vasto e surpreendente que acolhe um novo ser, que eu quero falar com vocês.

Até mais.

 

Categorias:
Coisas de mãe