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Instituto Mãe: Você já ouviu falar em Adenomiose?

28 de março de 2018 |
Instituto Mãe

Instituto Mãe: Você já ouviu falar em Adenomiose? por @dr.Renatotomioka

A maioria das mulheres já conhece a endometriose, doença prevalente em cerca de 10% da população feminina em idade reprodutiva. Porém, a adenomiose, que já foi conhecida como “endometriose interna”, não é tão falada, apesar de ter cada vez mais relevância.

Afinal, o que é?

Adenomiose é uma doença do útero, caracterizada pela presença de tecido endometrial dentro da parede uterina, o miométrio. Assim, focos de endométrio (camada que reveste o útero por dentro) penetram a parede uterina e acabam formando as lesões de adenomiose, que pode ser difusa ou focal. O útero fica amolecido, com volume aumentado. Estima-se que mais de 50% das mulheres acima de 48 anos tenham adenomiose, mas muitas acabam sendo assintomáticas.

Quais são os principais sinais e sintomas?

A adenomiose pode gerar cólicas menstruais acompanhadas de fluxo aumentado, às vezes com coágulos, podendo causar anemia. Uma dica é notar quantas vezes você troca de absorvente por dia, no período menstrual. Um exame de hemograma e perfil de ferro pode ajudar também na investigação da anemia, geralmente causada pelo excesso de perda de sangue e deficiência de ferro.

Quais são os fatores de risco?

Mulheres submetidas a curetagem uterina, aspiração manual intrauterina (AMIU), cirurgias uterinas extensas (ex: retirada de miomas), sendo mais frequente em mulheres com mais de 40 anos de idade.

Como é feito o diagnóstico?

Atualmente não precisamos mais fazer biópsia do útero, considerado o padrão-ouro. Exames como a ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética de pelve realizados por médicos bem treinados muitas vezes já fecham o diagnóstico. Dica: a ressonância magnética tem maior sensibilidade e acurácia para adenomiose. O ideal é não realizar no período menstrual pois, neste período, o útero apresenta contrações, simulando uma zona juncional aumentada no exame, sinal típico de adenomiose. Fazer a ressonância em outras fases do ciclo menstrual reduz o risco de um exame falso positivo (exame diz que tem a doença, mas na verdade não tem).

Como tratar?

Depende dos sintomas, tipo e localização da adenomiose, idade e desejo reprodutivo. Existem tratamentos clínicos, como as pílulas anticoncepcionais, agonistas do GnRH (injeções que induzem uma menopausa química), e tratamentos cirúrgicos, para retirada da adenomiose focal ou até retirada do útero, nas mulheres que não desejam engravidar.

Por fim, se você tem cólicas e fluxo menstrual aumentado, vale a pena conversar com seu ginecologista para investigar adenomiose (e outras causas), desenhando o melhor tratamento para o seu caso.

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Coisas de mãe